Save 004 - Assassin's Creed Valhalla

Por Ronan Barros 

Eu não sou um tupiniviking (e na real tenho vergonha alheia de quem se identifica com isto) mas, tenho bastante carinho pela cultura nórdica. E foi justamente este carinho que me fez adquirir Assassin’s Creed Valhalla ainda na pré-venda. Agora você deve estar pensando... mas este é um jogo de 5 anos atrás, só agora que você está jogando? Então... na real eu joguei várias horas dele no lançamento, porém, por motivos que não cabem aqui, eu acabei perdendo meu salve e isto realmente me desconectou com o game. Eu não queria ter que repetir tudo. Passou um tempo e cá estou eu dando a devida atenção.

A premissa do jogo é encarnarmos a vida do viking Eivor (Eivor é um nome feminino na língua viking, mas o jogo permite você jogar com um personagem masculino) em uma jornada de vingança, conquista e lealdade. A vingança vem bem rápida, logo nas primeiras missões do game, o que torna o jogo muito mais voltado para a expansão viking nas terras inglesas e os relacionamentos com seus próximos. Principalmente com Sigurd, seu irmão de criação.

É difícil explicar a história principal porque ela é extremamente diluída ao longo de várias outras histórias presentes no jogo. Na Inglaterra seu principal intuito é fazer alianças com as 14 diferentes regiões do mapa. Cada região é marcada por uma história própria com seus próprios personagens. É como se o jogo fosse uma série de TV procedural. Cada região é um episódio independente da semana e, no contexto geral, você tem uma história maior relacionando os personagens principais. Eu realmente achei a ideia do formato interessante... se não fosse um terrível problema... vários destes “episódios soltos” são muuuito ruins. Em diversos momentos você vai simplesmente querer pular os diálogos ou porque são muito mal escritos, ou porque os personagens não conseguem despertar nenhuma emoção, nem para o ódio ou para o amor.

É comum pessoas na internet alegarem que esta artificialidade dos personagens é a falta de expressão facial e corporal dos modelos usados na engine da Ubisoft... mas lhes garanto que não é este o problema. O verdadeiro problema é a escrita. O contexto das histórias, os diálogos, tudo é muito expositivo, artificial e simplesmente não nos conectam com os personagens. Eles poderiam colocar bonecos de Playstation 1 ali que, se o roteiro for bom, você se emocionaria. Mas, infelizmente, não é o caso. Falta humor, falta drama, falta suspense. Ação até que tem... mas... a falta de um bom fio narrativo deixa a ação meio vazia.

Quero dizer... nem tudo é ruim. Há sim alguns personagens interessantes e tramas curiosas. Destaque aqui para as regiões onde as tramas envolveram algum evento típico da cultura da época, como o festival do homem de vime (homem de palha), o yule, a pira funerária entre outras coisas... estes são momentos realmente interessantes de vivenciar pela perspectiva de um viking. A própria trama principal, nas raríssimas vezes em que ela acontece, é realmente interessante com personagens admiráveis e acontecimentos pra lá de marcantes... mas... ao longo das minhas 70 horas de gameplay (e focando apenas nas missões principais), sinto que a parte boa está muito diluída no meio da mera mediocridade.

O próprio Eivor, o personagem principal do game, tem problemas. Eu joguei com Eivor masculino, mas, em diversos momentos eu senti que o jogo esperava que ali, naquele momento, a personagem fosse feminina. E não estou me referindo a questões de relacionamentos que o jogo propõe (e que você é livre para escolher fazer como quiser). Mas... algumas circunstâncias parecem um pouco deslocadas para o Eivor masculino e imagino que o inverso também deve acontecer. Isto é algo pequeno, mas, ao longo do jogo, Eivor infelizmente não consegue se tornar alguém verdadeiramente marcante.

Eu não sou sommelier de gráficos, mas achei o jogo lindo por todo o momento. Nada me causou alguma estranheza visual e praticamente não tive nenhum bug na minha jogatina. Mecanicamente o jogo é funcional. Ele não é maravilhoso ou revolucionário em nada, mas faz o básico sem decepcionar.

Uma das coisas que mais me prenderam no jogo é o sabor de cultura viking. E isto realmente está lá. Não apenas nos festivais que o personagem visita, mas em tudo. Desde as histórias contadas no barco, as músicas, a bebedeira, os banquetes, a superstição, a religiosidade, os deuses e etc... tudo isto está presente. No capítulo final eu realmente me emocionei quando o jogo propõe, digamos, uma certa alegoria sobre o salão de Valhalla e a glória viking. Há ali uma certa recapitulação do passado e o significado de tudo. Eles ainda aproveitam para fazer uma associação com A Primeira Civilização, uma civilização perdida que existe no lore da franquia, e, confesso... um misto de deslumbre, admiração e tristeza repousou em meu âmago. E isto foi bom. Foi forte. Marcante.

No fim das contas, Assassin’s Creed Valhalla é isso: um jogo que tropeça, que se perde em meio a um mundo enorme e histórias que nem sempre valem a pena, mas que, quando acerta… ele acerta no coração. E por mais que eu reclame, por mais que eu aponte defeitos, a verdade é que quando cheguei ao fim eu só consegui pensar em uma coisa: foi uma longa jornada, cheia de falhas… mas eu teria orgulho de sentar no salão de Valhalla e contar que vivi tudo isso.


Comentários

  1. Eu já abandonei a franquia a muitos anos. Porém você me deixou com vontade de jogar e dar mais uma chance pra franquia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É um jogo em que o principal defeito é o tamanho. A historia se estica demais. Alem da conta. Vc vai verdadeiramente se cansar no meio do processo. O final eu achei muito bom... mas... aja paciência para chegar nele. rsrsrsrs

      Excluir

Postar um comentário